Taxonomia e a importância da classificação dos seres vivos
Indubitavelmente, um dos processos com maior importância para a construção do saber humano ao longo do tempo se dá justamente pela organização dos conhecimentos. De fato, a categorização e classificação das mais diversas informações que possuímos através de critérios específicos desempenha papel fundamental, entre outros, nas ciências modernas, pois permite a rápida identificação de um corpo ou fenômeno específico de acordo com suas características mais marcantes. No caso da Biologia, a taxonomia (do grego táxis, disposição/arranjo, e nómos, regra, lei) desempenha tal função organizadora, voltando-se à classificação dos seres vivos de acordo com suas características.
Uma breve história da taxonomia
Embora a classificação dos seres vivos já fosse realizada desde os primórdios da humanidade (em categorias como, a título de exemplo, "comestível" e "não-comestível"), foi com pensadores como Aristóteles (o "pai das ciências") que a categorização dos organismos vivos (e não-vivos) até então conhecidos ganhou um caráter rigoroso. De fato, Aristóteles tornou-se conhecido, entre outros, por dividir todos os corpos conhecidos na época em três grandes reinos: mineral (não-vivo), vegetal (vivos com "alma vegetativa" - sem capacidade de movimentos) e animal (vivos com "alma animada" - com capacidade de movimento), desempenhando, dessa forma, papel fundamental para o desenvolvimento da taxonomia.
Já em 1758, outro grande pensador, denominado Carollus Linnaeus, publicou a obra Systema Naturae, que, utilizando-se de conhecimentos não disponíveis na época de Aristóteles, ampliou a classificação aristotélica dos seres vivos. Além de reinos, outros seis táxons foram inseridos, sendo estes: filo, classe, ordem, família, gênero e espécie (em ordem crescente de especificidade). Linnaeus também desempenhou um importante papel na construção da biologia enquanto ciência ao estabelecer regras rígidas para a identificação e denominação de espécies, como veremos a seguir.
Mais recentemente, com o desenvolvimento da microscopia eletrônica e o consequente estudo dos componentes e estruturas celulares, a classificação taxonômica dos seres vivos sofreu uma nova ampliação, com o estabelecimento do táxon domínio (Eucaria, Bactéria ou Arqueia).
Tais exemplos históricos também levam à compreensão de que a taxonomia, enquanto instrumento de classificação dos seres vivos, encontra-se em constante construção, sendo suscetível a transformações ao longo do tempo: assim como novos seres vivos podem vir a ser descobertos, outros podem se diferenciar e dar origem a novas espécies, o que enfatiza a necessidade de se atualizar constantemente a "Árvore da Vida".
Espécie: conceito e nomenclatura
No contexto da classificação dos seres vivos, o táxon espécie pode ser caracterizado como a mais natural e uma das mais específicas categorias em que os seres vivos podem ser organizados. De fato, enquanto que reinos, gêneros, filos, famílias e outros grupos foram estabelecidos de forma artificial pelo ser humano (compreendendo seres com características específicas em comum), o conceito de espécie tem sua existência verificada naturalmente, como se pode ver pelas características de tal táxon, mostradas abaixo:
Uma espécie pode ser definida como um conjunto de seres vivos que:
- Possuem semelhanças morfológicas, fisiológicas, cariotípicas e bioquímicas, entre outros;
- Vivam em uma mesma área geográfica ao mesmo tempo, constituindo, portanto, uma população;
- Sejam entrecruzáveis entre si, sendo capazes de gerar uma prole fértil e
- Estejam reprodutivamente isolados de outras populações (não conseguem produzir descendentes férteis com seres vivos fora do conjunto considerado).
Partindo dos critérios acima, conclui-se que existe no planeta um incalculável número de espécies distintas. Dessa forma, a nomenclatura dos seres vivos, estabelecida de forma inicial por Linnaeus, desempenha um papel fundamental ao permitir a rápida identificação de uma determinada espécie, bem como de algumas de suas características. No caso, cabe considerar tal nomenclatura, devido ao seu caráter universal, possui uma série de regras rigorosas, listadas abaixo:
- A nomenclatura dos seres vivos deverá ser sempre binomial: o primeiro nome identificará o gênero, e o segundo, a espécie (posteriormente, com o desenvolvimento do conceito de subespécie, a nomenclatura pôde contar com mais um nome);
- Os nomes considerados devem estar em latim ou em sua forma latinizada;
- O nome científico deve ser escrito em itálico (caso digitado) ou sublinhado (caso manuscrito);
- O nome relativo ao gênero sempre começará com letra maiúscula e o da espécie deverá possuir inicial minúscula.
Exemplos: Homo sapiens; Homo sapiens neanderthalensis e Homo sapiens sapiens (o terceiro nome se refere à subespécie; o Homo sapiens neanderthalensis e o Homo sapiens sapiens possuem algumas características distintas, todavia são entrecruzáveis entre si e podem gerar prole fértil).
A Taxonomia e o estudo da evolução dos seres vivos:
Outro aspecto relevante ligado ao estudo da taxonomia se dá pela elaboração de cladogramas, que, além de mostrarem os táxons a que pertencem determinados grupos de seres vivos, permitem a análise de possíveis relações evolutivas entre tais grupos. Nesse contexto, a taxonomia relaciona-se a conceitos ligados à especiação, como os processos de cladogênese e anagênese, que serão descritos em outra postagem.
Esquema representativo de um cladograma. Disponível em https://www.vestibulandoweb.com.br/educacao/biologia/questoes-cladogramas/. Acesso em 6 de março de 2019.
Além disso, faz-se importante considerar que, particularmente no estudo dos cladogramas, destacam-se os termos características apomórficas e características plesiomórficas, que desempenham um importante papel ao apontarem as semelhanças ou diferenças entre os mais diversos grupos de seres vivos. Nesse contexto, as características apomórficas são aquelas que diferenciam um único grupo de seres vivos do restante das entidades biológicas. Em outras palavras, tratam-se de elementos novos, homólogos (de mesma origem embrionária) e exclusivos de um único grupo de seres vivos. As características plesiomórficas, por sua vez, dizem respeito a elementos comuns a um grande número de grupos de seres vivos distintos, não podendo, dessa forma, serem utilizadas para diferenciar grupos de seres vivos diversos. Dessa forma, características plesiomórficas geralmente são evolutivamente antigas e possuem caráter generalizado. Por fim, cabe considerar ainda as características sinapformes, que compreendem os elementos comuns a seres vivos derivados de um mesmo ancestral comum (atuando, portanto, em uma zona intermediária, entre a apomorfia e a plesiomorfia).
Referências bibliográficas:
2. FAVARETTO, José Arnaldo. Biologia: Unidade e Diversidade 2. Editora FTD.
3. Assuntos trabalhados em aula pelo professor Paim.

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